Não se constitui em tarefa fácil redesenhar o arranjo institucional do setor energético, de maneira a se investir mais em energias renováveis; mas é algo necessário e imprescindível, principalmente quando se tem em pauta o desenvolvimento em consonância com a manutenção da qualidade ambiental.

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O estado do Ceará vem estudando as projeções de matriz energética para os próximos 20 anos. O estudo estabelece cenários para o Estado para 2030, considerando os investimentos em fontes alternativas de energia, como a eólica, a solar e biodiesel.
Os estudos são necessários para que tomadores de decisão possam ter conhecimento prévio do que pode, dependendo das variáveis analisadas, acontecer quando se opta por determinado cenário. O foco é minimizar, de preferência extinguir, o uso não sustentável de carvão e lenha da vegetação Caatinga.
A energia que vem da terra
O engenheiro químico Expedito Parente, cearense, é o detentor da patente do biodiesel. O biodiesel, produzido de óleos vegetais, é uma fonte alternativa de energia interessante sob o ponto de vista ambiental.

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Em relação à história do biodiesel no Ceará, conforme Sales et al. (2006), pode ser vista da seguinte maneira:
1980 – Prof. Expedito Parente obteve Patente Biodiesel – UFC
2002 – Iniciada parceria com a TECBIO (Tecnologias de Biocombustíveis Ltda), empresa incubada no NUTEC (Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial) que desenvolve pesquisas sobre biodiesel.
2003 – Iniciou produção do biodiesel em bancada (laboratório).
2004 – Planta piloto NUTEC para produção em batelada.
2005 – Autorizado pela ANP (335) para produzir Biodiesel.
2005 – Projeto Diesel Verde com a Prefeitura de Fortaleza e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (SINDIÔNIBUS) para testar biodiesel em 17 ônibus com B5.
2006 – Fase de conclusão de usina para produção contínua.
Em 2008, foi inaugurada a Usina de Biodiesel, em Quixadá, com capacidade de produção de 57 mil litros de biodiesel por ano. Trinta por cento desta produção é destinada ao consumo interno e o restante a outros estados do Nordeste. Conforme ADECE (2011), são 8.522 agricultores que cultivam mamona e girassol em 161 municípios cearenses cadastrados para fornecer matéria-prima.
A energia que vem do lixo

A decomposição da matéria orgânica existente nos resíduos sólidos (lixo) produz gás. O reaproveitamento de gás proveniente de aterros sanitários (biogás) pode se constituir em importante fonte alternativa de energia e ainda, minimizar a emissão de gases para atmosfera, notadamente o metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2). Soma-se ainda aos benefícios do reaproveitamento de gases de aterros sanitários, a probabilidade de ganhos econômicos com a comercialização dos créditos de carbono.
Em 2007, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do estado do Ceará (SECITECE) produziu um Relatório Técnico para estudar a viabilidade de reaproveitamento de gases de dois aterros sanitários no Ceará: o de Jangurussu, em Fortaleza e o de Sobral, interior do Estado.
Com dados da época do estudo, Cabral; Santos (2007) relatavam que considerando os anos de 2000 e 2001, em que o aterro do Jangurussu estava em pleno funcionamento, a probabilidade de geração de biogás era de 203.124.996 Nm3/ano. Em Sobral, nos 21 anos (2000 a 2020) de potencial funcionamento do aterro, estimava-se que a produção de biogás fosse de 51.054.803 Nm3.
Para finalizar, importante ressaltar a necessidade de estabelecimento dos papéis dos diferentes atores envolvidos no processo (incluindo atores governamentais, institucionais e sociedade civil), por intermédio, inclusive, da descentralização das ações de reaproveitamento e comercialização do biogás.
Os governos locais (municípios) têm neste viés um interessante caminho para seus territórios. Quando forem implantar seus aterros sanitários, seja de forma individual ou consorciada, atentar para a possibilidade de reaproveitamento do biogás, com oportunidades factíveis de comercialização dos créditos de carbono, além de fazer cumprir o compromisso assumido pelo Brasil nas Conferências Mundiais em reduzir o passivo ambiental concernente ao saneamento ambiental.
Em síntese, a Tabela a seguir, traz as fontes alternativas de energia, apresentadas nas diversas partes deste Blog Verde, que se encontram em operação em 2012, no Ceará, bem como o município em que estão implementadas.
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Tipo de fonte alternativa |
Nome do empreendimento |
município |
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Hidrelétrica |
Pequena Central Hidrelétrica (PCH) – Usina Araras Norte |
Varjota |
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Energia eólica |
UEE Praia Formosa |
Camocim |
| UEE Canoa Quebrada |
Aracati |
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| UEE Bons Ventos | ||
| UEE Enacel | ||
| UEE Eólica Canoa Quebrada | ||
| UEE Lagoa do Mato | ||
| UEE Icaraizinho |
Amontada |
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| UEE Volta do Rio |
Acaraú |
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| UEE Praia do Morgado | ||
| UEE Praias de Parajuru |
Beberibe |
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| UEE Beberibe | ||
| UEE Foz do rio Choró | ||
| UEE Paracuru |
Paracuru |
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| UEE Taíba-Albatroz |
São Gonçalo do Amarante |
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| UEE Taíba | ||
| UEE Prainha |
Aquiraz |
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| UEE Mucuripe |
Fortaleza |
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| Energia solar | Usina Solar Tauá MPX |
Tauá |
| Energia das Marés | Usina Piloto Coppe/UFRJ |
São Gonçalo do Amarante |
| Energia das plantas | Usina de Biodiesel |
Quixadá |
Fontes:
Sales, J.C et al. O biodiesel produzido a partir da mamona e suas consequências para o desenvolvimento no Ceará: aspectos ambientais, sociais e econômicos. Sergipe: 2º. Congresso Brasileiro de Mamona, 2006.
Cabral, N; Santos, F.J.P.N. Estudo de viabilidade de reaproveitamento de gás em aterros sanitários nos municípios cearenses – Relatório Técnico. Fortaleza: SECITECE, 2007.
