Em 2005, a ONU publicou a Avaliação Ecossistêmica do Milênio (Millenium Ecosystem Assessment) cuja finalidade principal era prover aos tomadores de decisão, para a sociedade civil, para os governos e para as empresas uma base científica para terem condições de assumirem seu papel de protagonismo, em relação a ações de conservação, de manejo sustentável, de uso dos ecossistemas e de seus serviços ambientais.
Não é necessário dizer que os seres humanos, e seu bem-estar, são diretamente dependentes dos serviços ambientais providos pela Terra. A Avaliação Ecossistêmica do Milênio (AEM) trouxe o conceito de serviços ambientais e apontou quatro resultados principais.

Estamos muito próximos de uma eleição para governos locais (municípios). Importante que saibamos que governos locais têm papel fundamental nas estratégias e ações para o uso sustentável dos ecossistemas e a permanência e manutenção dos serviços ambientais, em quantidade e qualidade, para esta e para as futuras gerações.
Conforme a AEM (2005), os resultados são:
1) Nos últimos 50 anos, o ser humano modificou os ecossistemas de maneira mais rápida e extensivamente que em qualquer intervalo de tempo equivalente na história da humanidade, na maioria das vezes para suprir rapidamente a crescente demanda por alimentos, água potável, madeira, fibras e combustível. Isso acarretou perda substancial e, em grande medida, irreversível, para a diversidade da vida no planeta.
2) As mudanças que ocorreram nos ecossistemas contribuíram com ganhos finais substanciais para o bem-estar humano e o desenvolvimento econômico, mas esses ganhos foram obtidos a um custo crescente, que incluiu a degradação de muitos serviços dos ecossistemas, maior risco de mudanças não lineares, e exacerbação da pobreza para alguns grupos da população (externalidades negativas). Esses problemas, a menos que tratados, reduzirão substancialmente os benefícios obtidos dos ecossistemas por gerações futuras.
3) A degradação dos serviços de ecossistemas pode piorar consideravelmente na primeira metade deste século (XXI), representando uma barreira para a consecução das Metas de Desenvolvimento do Milênio.
4) O desafio de reverter a degradação dos ecossistemas enquanto se supre demandas crescentes pode ser parcialmente vencido sob alguns cenários considerados neste estudo, mas isto envolve mudanças significativas em políticas, instituições e práticas, mudanças estas que não estão em andamento atualmente. São muitas as opções para se preservar ou melhorar os serviços específicos a um ecossistema, de forma a reduzir mediações negativas ou a fornecer sinergias positivas com outros serviços dos ecossistemas.
Portanto, caros leitores do Blog Verde, o desafio é imenso; demanda conhecimento e vontade de atuar para promover o que for necessário para estabelecer um conjunto eficaz de respostas que garantam a gestão sustentável dos ecossistemas. O desafio exige, certamente, algumas mudanças fundamentais em instituições e governança, em políticas públicas e, ainda, na possibilidade de se instituírem incentivos econômicos.
Fonte: Millenium Ecosystem Assessment: Strengthening capacity to manage ecosystems sustainably for human well-being.). France: ONU, 2005.
