Faltando 22 dias para o início da Copa do Mundo FIFA 2014, o governo brasileiro anunciou, esta semana, uma iniciativa incentivando os detentores de créditos de carbono do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), chamados de reduções certificadas de emissões (RCEs), para doá-los aos organizadores do evento, com o intuito de compensar as emissões de construção e reforma de estádios, o consumo de combustíveis fósseis dos transportes do público (participantes) e do staff oficial, e de outras fontes.
Conforme estimativas da FIFA (2014), as emissões para atmosfera serão mais de 2,7 milhões de tCO2e (toneladas de carbono equivalente), sendo a maioria das emissões (90,8%) provenientes dos jogos, Fan Fests, banquetes e operações, durante a Copa do Mundo FIFA 2014. A Copa das Confederações, realizada em 2013, integra essas estimativas, tendo uma parcela de contribuição de 7,8% do total de emissões (213.706 tCO2e).
Segundo algumas previsões, para compensar as fontes de emissões, a exemplo das citadas anteriormente, seria necessário mais de um milhão de RCEs, dependendo do cálculo. As compensações seriam equivalentes à retirada de cerca de 300.000 veículos de passageiros das estradas por um ano.
Christiana Figueres, Secretária Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) disse: “essa iniciativa do Brasil em fazer essa chamada às pessoas no sentido de compensar as emissões do maior evento de espectadores do mundo é uma medida bem-vinda e faz parte de uma tendência global desenvolvida pelos organizadores para grandes eventos esportivos verdes, como torneios de futebol e os Jogos Olímpicos”.
Entendo oportuno salientar que seria de bom grado e justo que as emissões de carbono (as milhares de toneladas previstas) da Copa do Mundo FIFA 2014 fossem compensadas por quem as emitiu (ou irá emitir) e as provocou (ou irá provocar).
Em tempos de mudanças climáticas e com os cenários nada favoráveis aos biomas brasileiros (notadamente a Amazônia e a Caatinga), fico me indagando até quando vamos socializar (literalmente ao mundo inteiro) os prejuízos ambientais enquanto poucos internalizam lucros financeiros?
Fonte: Summary of the 2014 FIFA World Cup Brazil – Carbon Footprint
Climate Change
