COVID-19 e saneamento básico: risco de contaminação por esgoto

             Estamos diante de um desafio grande por causa da pandemia do novo Coronavírus, que está presente em 181 países, com 998.047 casos confirmados da doença e 51.335 mortes por COVID-19, conforme dados da Johns Hopkins University (2020).

Fonte: Johns Hopkins University, 2020.

            A respeito das características gerais sobre a infecção humana pelo novo Coronavírus, o Ministério da Saúde afirma que os coronavírus, altamente patogênicos, causam infecções respiratórias e intestinais em humanos (MS, 2020a). Acredita-se que a transmissão acontece “por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra” (MS, 2020a). Assim, a disseminação acontece por contato próximo.

            O Boletim Epidemiológico no 5 (MS, 2020b) informa que contato próximo pode ser: contato físico direto (por exemplo, aperto de mãos); ou contato direto desprotegido com secreções infecciosas (por exemplo, gotículas de tosse, contato sem proteção com tecido ou lenços de papel usados e que contenham secreções); ou contato frente a frente por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou se uma pessoa que esteve em um ambiente fechado por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou, ainda, profissional de saúde ou outra pessoa que cuide diretamente de um caso de COVID-19 (MS, 2020b).

            Para conter a transmissão, o Ministério da Saúde recomenda, fortemente, as medidas não farmacológicas, dentre estas: isolamento de sintomático por até 14 dias; equipamento de proteção individual (EPI) para doentes e profissionais da saúde; lavar bem as mãos; uso de toalhas descartáveis; ampliação na frequência de limpeza de piso, corrimão, maçaneta e banheiros; restrição de contato social; evitar aglomeração; redução de fluxo urbano e outras (MS, 2020b).

            Uma preocupação, então, aparece nesse cenário de possibilidade de transmissão, se considerarmos as infecções intestinais e a possibilidade de contaminação feco-oral do novo Coronavírus. Os serviços de saneamento (manejo adequado de resíduos sólidos, abastecimento de água potável e esgotamento sanitário) são importantes elementos para minimizar a possibilidade de transmissão.

            O pesquisador Márcio Botto, consultor de Pesquisa e Conhecimento da CAWST, afirma que até o presente momento não há relato de transmissão feco-oral do Coronavirus entre pessoas. O pesquisador cita o artigo da Organização Mundial da Saúde “Water, sanitation, hygiene, and waste management for the COVID-19 virus”, para embasar sua afirmação.

            No entanto, continua o pesquisador, “acredita-se que seja possível sua transmissão, uma vez que o SARS-Cov-2 (Novo Coronavírus) foi detectado em efluentes domésticos e em fezes de pacientes”. Acrescenta que a sobrevida de vírus semelhantes a este é de “14 dias em esgotos a 4 graus Celsius e de até 2 dias a 20 graus Celsius”.

            Para Márcio Botto, essa constatação permite sugerir que existe a possibilidade de que esgotos e fezes sejam fontes de transmissão do novo Coronavírus. Ainda são poucos os trabalhos científicos que correlacionam causa e efeito, mas adverte o pesquisador que as “maiores implicações quanto a transmissão feco-oral do novo Coronavírus e os maiores desafios a serem enfrentados serão nas áreas sem saneamento básico, como os bolsões de pobreza, favelas e áreas peri-urbanas com alta concentração populacional”.

            Reconhecidamente, os serviços de saneamento no mundo são um dos grandes desafios e representam um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a meta de universalização do saneamento básico, até 2030. No caso do Brasil, nos dias atuais, “35 milhões de brasileiros não tem acesso a água tratada por rede geral e mais de 100 milhões vivem sem coleta pública de esgoto”, conforme dados do Instituto Trata Brasil. Márcio Botto finaliza alertando que a presença do Coronavírus por longos períodos em água e esgoto “sugere um contínuo risco de contaminação de pessoas sem acesso a água segura e sistemas apropriados de disposição de excretas”.

            Para ter acesso na íntegra do documento do pesquisador, cliquem aqui.

Referências

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico n. 2. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, fev. 2020a.

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico COE- COVID-19. N. 5. COE. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, 2020b.

 

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