Rede de Monitoramento COVID Esgoto

            A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) lançará amanhã, dia 16 de abril, a Rede de Monitoramento COVID Esgoto, que acompanhará a carga viral do novo coronavírus nos esgotos de seis capitais: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro.

            Conforme a Assessoria de Comunicação da ANA, esse trabalho é uma das maiores iniciativas brasileiras de monitoramento da COVID 19 e busca fornecer subsídios para a tomada de decisões para o enfrentamento à pandemia atual.

Fonte: ANA, 2021.

            Na mesma ocasião, será divulgado o primeiro boletim de monitoramento da Rede. Belo Horizonte e Rio de Janeiro que já acompanham seus esgotos há mais tempo e, assim, possuem base de dados maior sobre o tema.

            A ANA realiza o webinar “Monitoramento do Esgoto como Ferramenta de Vigilância Epidemiológica no Brasil: do Projeto-Piloto para a Rede Monitoramento COVID Esgotos”, em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT ETEs Sustentáveis), em trabalho de coordenação conjunta, que também conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

            O evento terá transmissão pelo YouTube dia 16/04/2021, às 15 h, pelo canal da A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Aos interessados em assistir, cliquem aqui.

            O INCT ETEs Sustentáveis é formado por 7 (sete) das mais importantes instituições de ensino e pesquisa na área de saneamento básico no Brasil, a saber: UFMG (líder), UFC, UFMS, UFPE, UFR, USP e ISAE/FGV, cabendo à UFMG a coordenação e a subcoordenação geral do INCT. No Ceará, a coordenação do projeto é da Universidade Federal do Ceará, com a participação dos professores André Bezerra dos Santos, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (DEHA) e Vânia Maria Maciel Melo, do Departamento de Biologia (DB).

            Segundo o Prof. André, o projeto conta com a participação da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e Secretaria de Saúde do Ceará (SESA). Serão realizadas 10 amostragens compostas de esgotos, em uma frequência semanal, as quais serão coletadas em diferentes locais da malha de esgotamento sanitário da Região Metropolitana de Fortaleza, distribuídos em hotspots, locais da cidade de maior incidência da doença, assim como em zonas de elevada vulnerabilidade social. Os pontos de monitoramento escolhidos em Fortaleza são:

  1. Estação de Tratamento de Esgotos José Walter
  2. Estação de Tratamento de Esgotos São Cristóvão
  3. Estação Elevatória SD2 – Barra do Ceará
  4. Estação Elevatória SD1 – Antônio Bezerra
  5. Estação de Tratamento e Esgotos Conjunto Ceará
  6. Estação Elevatória Reversora do Cocó (Hospital Unimed)
  7. Estação Elevatória Praia do Futuro II
  8. Estação Elevatória Pajeú (Hospital Leonardo da Vinci)
  9. Poço de visita – Interceptor Leste
  10. Estação de Pré-Condicionamento

            No laboratório, as amostras serão processadas em 4 etapas: (i) concentração do vírus; (ii) extração do RNA viral; (iii) detecção e quantificação do vírus através de reação única de transcrição reversa e PCR em tempo real (One Step Real Time RT-qPCR); e (iv) análise e interpretação dos resultados. A partir dos resultados semanais e relatórios mensais de acompanhamento espera-se avaliar o comportamento das concentrações virais em um dado ponto de monitoramento, sua distribuição na cidade, assim como verificar tendências dentro do território nacional, na comparação com os resultados das demais instituições que compõem a rede.

            O Professor André Bezerra comenta que “trabalhos recentes, publicados na revista científica Lancet Gastroenterol Hepatol, mostraram que pacientes com a Covid-19 apresentaram em suas fezes o RNA viral. Em cerca de 50% dos pacientes investigados no estudo, a detecção do RNA do SARS-CoV-2 nas fezes aconteceu por cerca de 11 dias após as amostras do trato respiratório dos pacientes terem sido negativas, indicando a replicação ativa do vírus no trato gastrointestinal. Em outro estudo, realizado nos Países Baixos, o novo coronavírus foi detectado em amostras de esgoto do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, bem como em amostras das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) das cidades de Kaatsheuvel e de Tilburg (onde é tratado o esgoto do aeroporto de Schiphol) seis dias antes da confirmação do primeiro paciente com Covid-19″.

            Continua o Prof. André Bezerra, “se por um lado os resultados dos estudos mencionados anteriormente alertam para eventuais riscos de transmissão da doença Covid-19 pela via feco-oral, por outro indicam a possibilidade de estabelecer uma estratégia para detecção da presença de uma doença ou infecção viral na população, inclusive na parcela que não manifesta a doença – portadores assintomáticos, os quais transmitem até 40% do total de casos. A Epidemiologia Baseada nos Esgotos (Wastewater Based Epidemiology, WBE) vem se mostrando como uma ferramenta de vigilância epidemiológica bastante importante para subsidiar as autoridades de saúde, norteando as medidas de enfrentamento da pandemia, como, por exemplo, as medidas de isolamento social, com exemplos de sucesso na Holanda, Austrália, França, Estados Unidos, Espanha, Itália, entre outros”. Nesse sentido, deu-se origem o projeto piloto que integra a Rede Monitoramento Covid Esgotos, que será lançado pela ANA.

            Convite feito a todos. Participem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: