Comércio tóxico: risco à saúde ambiental

            Em abril de 2022, uma publicação de autoria de Larissa Bombardi e Andrey Changoe intitulada “Comércio tóxico: a ofensiva do lobby dos agrotóxicos da União Europeia no Brasil” nos remete a refletir sobre o quanto somos, diariamente, expostos a substâncias, que podem nos trazer malefícios em todo o ciclo de vida.

            É interessante recordar que essas mulheres não são as primeiras a estabelecer, e publicar, o nexo causal entre o uso de agrotóxicos e os efeitos maléficos à saúde ambiental. Rachel Carson, em seu livro Primavera Silenciosa de 1962, trazia à tona importantes informações sobre o risco de agrotóxicos numa época em que não havia a consciência dos graves efeitos das ações humanas sobre os ecossistemas terrestres e aquáticos.

            “É fácil ver o motivo pelo qual a leucemia deve ser uma das doenças mais comuns, dentre as resultantes da exposição do indivíduo às radiações ou a substâncias químicas que imitam as radiações” (CARSON, 1962, p. 240).

            “Outra mutagênico que se sabe que produz câncer é a uretana. A uretana, como carbamato, é quimicamente relacionada aos ervicidas IPC e CIPC. A despeito das advertências dos especialistas em câncer, os carbamatos são agora amplamente utilizados não somente como inseticidas, como matadores de ervas daninhas, e como fungicidas, mas também como ampla variedade de produtos” (CARSON, 1962, p. 241). “A exposição do ser humano às substâncias produtoras de câncer (inclusive aos pesticidas) é incontrolada, e tem formas múltiplas” (CARSON, 1962, p. 243).

            Nos dias atuais, Bombardi e Changoe (2022, p. 3) alertam que “enquanto a indústria europeia de agrotóxicos busca maximizar seus lucros, uma pessoa morre de envenenamento por agrotóxicos no Brasil a cada dois dias, e cerca de 20% dessas vítimas são crianças e adolescentes com idade entre 0 e 19 anos”.

            Conforme as autoras, o uso de agrotóxicos tem causado danos consideráveis às espécies e ao meio ambiente de forma geral no Brasil, inclusive com a contaminação de lençóis freáticos. A figura abaixo mostra a contaminação de crianças por pesticidas, considerando o período de 2010 a 2019. Os estados do Nordeste mais afetados são Pernambuco, Ceará e Bahia.

Fonte: Bombardi; Changoe, 2022.

            Está mais que na hora de atentarmos para o risco significativo que os agrotóxicos causam à saúde do meio ambiente e à saúde humana. “Os impactos da exposição crônica a agrotóxicos altamente perigosos merecem particular preocupação, com estudos mostrando aumento de riscos de câncer, mal de Alzheimer e de Parkinson, desequilíbrio hormonal, transtornos do desenvolvimento psicológico e esterilidade” (Bombardi; Changoe, 2022, p. 9).

            O agronegócio é importante, mas está “muito dependente de sementes, fertilizadores e agrotóxicos – resultando na perda de conhecimento local e práticas agroecológicas tradicionais”. Para o alcance do desenvolvimento sustentável, que optamos por seguir e que está designado na Política Nacional de Meio Ambiente (lei Federal n. 6.938/1981), fundamental escolhermos os caminhos da agroecologia e os sistemas agrossilvopastoris.

            Aos que desejam conhecer um pouco mais sobre o relatório das autoras Larissa Bombardi e Andrey Changoe, cliquem aqui.

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